domingo, 23 de junho de 2013

ESTRUTURAS BIOGÊNICAS DAS MINHOCAS (ANNELIDA: OLIGOCHAETA) COMO IMPORTANTES MODIFICADORES DO SOLO

As minhocas, junto com formigas e cupins, são consideradas os mais importantes engenheiros do solo (Jouquet et al., 2006), pois são organismos que direta ou indiretamente regulam a disponibilidade de recursos às outras espécies. As chamadas estruturas biogênicas são as construções de galerias e produção de coprólitos desses animais, que causam alterações nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, sendo importantes na formação e manutenção da fertilidade em agroecossistemas (FIUZA, 2011).

Minhocas revirando a terra. Fonte: http://www.ruralnews.com.br/visualiza.php?id=817.


Galerias: Os canais produzidos pelas minhocas durante sua movimentação no solo são denominados galerias. As galerias construídas pelas minhocas produzem importantes efeitos na porosidade, influenciando na infiltração de água e na aeração, que estão entre os aspectos físicos mais importantes para a proteção do solo contra processos de erosão (LEE, 1985).


Coprólitos: Os coprólitos são montículos de composição organomineral encontrados na superfície do solo, resultantes das excreções das minhocas geófagas (alimentam-se de terra ou solo mineral). Os coprólitos proporcionam ao substrato: a) Maior estabilidade que o solo original; b) Contribuição de cátions de Al, Fe, Ca e Mg; c) Colonização de fungos; d) Alteração da composição granulométrica do solo: bioturbação; e) Proteção da matéria orgânica; f) Fontes de nutrientes para as raízes das plantas.


Os efeitos das minhocas no solo são atribuídos aos seus excrementos e galerias, que recebem a denominação de estruturas biogênicas. Estas estruturas inicialmente são sítios preferenciais de ciclagem acelerada de nutrientes e posteriormente se tornam estruturas de sequestro e imobilização de carbono. As galerias formadas pelas minhocas facilitam o transporte de água e gases, da incorporação de serrapilheira ao solo, misturando materiais orgânicos e minerais e da liberação de excrementos na superfície e subsuperfície do solo. Neste mesmo sentido, Fragoso et al. (1997) afirmam que as minhocas, por sua atividade de alimentação, escavação de galerias e produção de coprólitos, modificam profundamente o solo, influenciando assim a produção vegetal.

Referências: FIUZA, Sergio da Silva. Ecologia de Chibui bari (Annelida: oligochaeta) e atributos físicos, químicos e biológicos de seus coprólitos. 2009. 113 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia). Área de Concentração em Produção Vegetal, da Universidade Federal do Acre. Rio Branco, 2009.
JOUQUET, P.; DAUBER, J.; LAGERLOF, J.; LAVELLE, P. & LEPAGE, M. Soil invertebrates as ecosystem engineers: Intended and accidental effects on soil and feedback loops. Appl. Soil Ecol., 32:153-164, 2006.
FRAGOSO, C.; LAVELLE, P.; BLANCHART, E.; MARTINEZ, M. A.; DECAENS, T.; TONDOH, J. Earthworm communities of tropical agroecosystems: origin, structure and influence of management practices. In: LAVELLE, P.; BRUSSAARD, L.; HENDRIX, P. (Ed.). Earthworm management in tropical agroecosystems. CAB International, 1999. p. 27-55.

Nenhum comentário:

Postar um comentário